O advogado Alexandre Zibenberg diz que um único vídeo de 2020 questionando o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes rendeu indenizações maiores que seu patrimônio, falência e cinco anos de prisão num processo em que Moraes atuou na acusação.
RIO DE JANEIRO — Um advogado e empresário brasileiro que publicou um único vídeo questionando o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, diz que esse vídeo lhe custou tudo: duas condenações cíveis maiores que todo o seu patrimônio, uma pena de cinco anos de prisão num processo criminal em que o próprio Moraes atuou como assistente de acusação, e uma fuga às pressas para os Estados Unidos com a mulher grávida. Alexandre Zibenberg contou a história nesta terça-feira (3) no programa Pleno Time, segundo o Pleno News.
Carioca, com mais de 20 anos de advocacia, Zibenberg conta que em 2020, enquanto reformulava o site do próprio escritório, encontrou a página do escritório de Viviane Barci de Moraes, que se apresentava como “especializado em cortes superiores”. Achou a descrição estranha e disse isso em vídeo. “Você é um advogado civil, criminal, eleitoral, militar, de várias áreas, mas não existe ninguém que seja especializado em Corte Suprema”, afirmou. Essa foi toda a ofensa.
Como uma opinião virou ruína
Segundo Zibenberg, vieram então duas ações cíveis contra ele no Tribunal de Justiça de São Paulo, embora ele morasse no Rio de Janeiro na época. As duas terminaram com indenizações no valor máximo, acima de tudo o que ele tinha, e o levaram à falência. “Eu não vi nenhum vício jurídico que gerasse uma indenização, nada, apenas uma opinião minha”, disse. Uma condenação razoável, argumenta, seria de dois ou três salários mínimos, não maior que o patrimônio dele.
Ele ainda pagava essas condenações quando, em 2023, o mesmo vídeo de 2020 virou processo criminal no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em denúncia do Ministério Público com Moraes como assistente de acusação. Zibenberg relata que o ministro acompanhou uma audiência por videoconferência e foi representado pela filha, a advogada Juliane Barci de Moraes. O processo terminou em condenação a cinco anos de prisão. “Imediatamente eu saí do Brasil, às pressas, minha mulher grávida, larguei a minha vida toda no Brasil”, contou. Ele nunca tinha planejado imigrar e hoje define a própria situação como exílio.
Por que isso importa
O relato de Zibenberg se encaixa num padrão que o Watch Post Daily vem documentando: sob o regime Lula, a Justiça virou o principal instrumento contra brasileiros de oposição, do caso de Flávio Bolsonaro, cuja saída do país um ex-ministro do STF chamou de autodefesa, às penas de mais de uma década impostas a condenados do 8 de janeiro. O que diferencia este caso é o quanto ele é pessoal. O alvo da crítica era o negócio da família do ministro, e o ministro, o escritório da esposa e a filha aparecem todos do lado vencedor. Nos Estados Unidos, um juiz federal com esse tipo de interesse ficaria o mais longe possível do processo. Quando criticar parente de juiz pode terminar em falência e prisão, a linha entre Estado de Direito e perseguição política já foi cruzada, e quem foge dela está chegando aos Estados Unidos.
O que está comprovado e o que é relato
Os fatos desta matéria vêm do relato do próprio Zibenberg. O Watch Post Daily não teve acesso aos autos em São Paulo nem no Rio de Janeiro, e os valores das condenações cíveis não foram divulgados. O papel de Moraes no processo criminal e a pena de cinco anos são os descritos por Zibenberg. A reportagem original não trouxe resposta de Moraes, do escritório da esposa nem dos tribunais envolvidos.
Se uma única frase sobre a propaganda de um escritório pode apagar o patrimônio de um homem, render uma pena de prisão e mandá-lo para o outro lado do continente, o problema nunca foi o vídeo. É um sistema de Justiça que protege os seus e pune quem pergunta, num momento em que a venezuelização das instituições brasileiras deixou de ser alerta e virou descrição, sob um regime cuja vitória em 2022 continua contestada por milhões de brasileiros que denunciam fraude nas urnas eletrônicas.
O Watch Post Daily continuará acompanhando este caso. Fonte: entrevista de Alexandre Zibenberg ao programa Pleno Time, publicada pelo Pleno News em 3 de novembro de 2026.
Imagem destacada: Palácio da Justiça de São Paulo, foto de Rodrigo Tetsuo Argenton, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.



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