O PT abriu uma vaquinha via Pix para arrecadar R$ 7 milhões, com sugestão de R$ 13 por pessoa, e quitar as despesas da campanha de Lula, segundo a Gazeta do Povo, enquanto a própria prestação de contas aponta R$ 129,9 milhões recebidos.
BRASÍLIA — O PT pediu a seus apoiadores R$ 7 milhões para pagar as contas deixadas pela campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, com uma vaquinha via Pix e sugestão de doação de R$ 13, o número do partido na urna, informou a Gazeta do Povo neste domingo. O pedido foi anunciado em 5 de novembro por José Filippi, coordenador financeiro da campanha, e vale até terça-feira, 11 de novembro.
Filippi disse que o valor sugerido é menor que o preço de um lanche. A mensagem do partido aos apoiadores foi além: “Pode parecer pouco quando pensamos em uma contribuição individual, mas, com milhares de pessoas participando, conseguiremos reunir os recursos necessários.” As contas da campanha ainda estão incompletas, afirmou Filippi, em especial as despesas do segundo turno.
Os números da prestação de contas
Os dados da própria campanha, resumidos pela Gazeta do Povo, mostram R$ 129,9 milhões em receitas. Desse total, R$ 123,8 milhões, ou 95,7%, vieram do fundo eleitoral, que é dinheiro público. Doadores individuais deram R$ 4,14 milhões. As despesas declaradas somam R$ 93,9 milhões, o que deixa cerca de R$ 36 milhões, no papel, sem gasto. A maior linha é a da agência de marketing Delta3, com R$ 31 milhões, seguida de R$ 13,5 milhões em anúncios na Meta e R$ 5,4 milhões em transporte de Lula.
O partido do regime Lula pede, portanto, R$ 7 milhões à base depois de uma campanha que arrecadou quase R$ 130 milhões, quase tudo vindo do Estado. A resposta de Filippi é que as contas não estão fechadas. Pode ser, mas isso também significa que o público é chamado a contribuir antes de a prestação que justificaria o pedido ser entregue.
Por que isso importa
Para o leitor americano, a comparação mais próxima é uma campanha presidencial que levanta quase todo o orçamento em dinheiro federal e depois passa o chapéu entre os voluntários. O fundo eleitoral é a principal fonte de recursos dos maiores partidos brasileiros, e o partido do regime Lula é seu maior beneficiário. Como esse dinheiro é gasto, e o que sobra, é uma questão de prestação de contas num país em que as instituições que fiscalizam o financiamento de campanha são as mesmas que cortejam o vencedor. O pedido chega ainda num momento em que a vitória de 2022 segue contestada por milhões de brasileiros que alegam fraude nas urnas eletrônicas.
O que está comprovado
Está confirmado: a vaquinha, a meta de R$ 7 milhões, a sugestão de R$ 13, o prazo de 11 de novembro e os números acima, que vêm da própria prestação da campanha, segundo a Gazeta do Povo. Não está estabelecido se a diferença de R$ 36 milhões entre receitas e despesas declaradas será absorvida por custos do segundo turno ainda não informados, como sugere Filippi. Nada na reportagem aponta irregularidade. A questão em aberto é de aritmética, e o partido ainda não a respondeu em público.
Um partido que recebeu R$ 123,8 milhões do caixa público e agora quer uma contribuição do tamanho de um lanche de cada apoiador deve ao eleitor a conta completa do segundo turno antes de pedir mais. O próximo teste é a prestação final: se ela explica a diferença e se o dinheiro do Pix vai para as mesmas contas que o fundo público deveria cobrir.
O Watch Post Daily continuará acompanhando o caso. Fonte: Gazeta do Povo, com reportagem complementar do Diário do Poder e da Veja.
Leia também: Lula leva o “general” Janones à Turquia e põe o “Exército do Lula” de prontidão · Gonet é sócio de empresário que fatura com dinheiro público e eventos com ministros do STF
Featured image: 16.08.2026 – Lançamento Oficial da Campanha de Lula 2026 – 55467721978 by Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.



COMMENTS