Lula leva o “general” Janones à Turquia e põe o “Exército do Lula” de prontidão

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Lula leva o “general” Janones à Turquia e põe o “Exército do Lula” de prontidão

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Lula confirmou que levará o deputado André Janones à COP31, na Turquia, e pediu aos mais de 10 milhões de integrantes do canal “Exército do Lula” no WhatsApp que fiquem de “prontidão”. Segundo o Estadão, o objetivo é manter o canal ativo para pressionar o Congresso e o STF.

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BRASÍLIA — Lula confirmou neste sábado, 7, em vídeo publicado no Instagram, que o deputado André Janones (Rede-MG) vai com ele à COP31, em Antália, na Turquia, e aproveitou a mesma mensagem para convocar o “Exército do Lula”, o canal de WhatsApp que Janones criou no segundo turno. “Eu vou passar a semana inteira fora, mas eu quero dizer aos meus soldados, ao meu general, que a tropa tem que estar de prontidão”, disse Lula, segundo o Estadão. Os dois prometem uma live direto da Turquia na quinta-feira, 12.

A campanha acabou, os votos foram contados, e o presidente continua chamando os seguidores de soldados. Ninguém em Brasília explicou contra qual inimigo um exército precisa ficar de prontidão depois de a eleição estar ganha.

O canal não fechou com a campanha. O Estadão mostrou que Janones, Lula e aliados trabalham para manter a militância digital ativa nos próximos quatro anos, com a avaliação de que o regime Lula vai precisar de pressão popular para alinhar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal à sua agenda. O canal tem hoje pouco mais de 10 milhões de integrantes e, na primeira semana depois da eleição, Janones já o usou para impulsionar publicações contra a revisão do fim das bets, tema de uma ação no STF relatada por Luiz Fux.

Por que isso importa

Um presidente em exercício está transformando uma máquina de campanha de 10 milhões de pessoas numa ferramenta permanente de pressão contra os dois Poderes que deveriam fiscalizá-lo. O cientista político Alexander Hilsenbeck Filho, da Faculdade Cásper Líbero, disse ao Estadão que isso configura uma “pressão externa” organizada sobre o processo decisório: o governo não precisa controlar o Congresso, basta “elevar o custo político de parlamentares que resistem”. O deputado federal eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP) foi mais direto: “vamos precisar de apoio na mobilização social para poder governar”. Para quem acompanha a América Latina de fora, a mecânica é conhecida: governos que passam a governar pela base mobilizada, e não pelas instituições.

Censura para uns, proteção para outros

O canal só sobreviveu porque o TSE se dividiu. A campanha de Flávio Bolsonaro pediu a suspensão do canal e a cassação do mandato de Janones. Em 11 de outubro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, mandou tirar o canal do ar; no mesmo dia, o corregedor, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a ordem. “Caiu a decisão, caiu a censura, o canal do Exército do Lula fica”, comemorou Janones. Uma nova suspensão, por falta de registro, durou 48 horas, a campanha registrou o canal e o caso ainda espera julgamento no plenário. As mesmas instituições passaram anos mandando derrubar perfis, canais e plataformas inteiras da direita no Brasil, e a palavra “censura” nunca protegeu a direita como protegeu Janones.

Lula também definiu a missão em termos que deixam pouco espaço para divergência: “somente a verdade repetida muitas vezes vai destruir uma mentira contada milhões de vezes. Não há financiamento, não há impulsionamento que consiga destruir a verdade”. O canal que ele elogiou existe justamente para repetir e impulsionar.

O que está comprovado

Comprovado: o vídeo de Lula no Instagram em 7 de novembro, a viagem com Janones, a live prevista, os mais de 10 milhões de integrantes e as decisões do TSE de 11 de outubro, noticiados por Estadão, Gazeta do Povo e outros veículos. Reportado pelo Estadão: que o objetivo é pressionar o Congresso e o STF. Janones foi procurado pelo Estadão e não respondeu.

Isso acontece depois de o tarifaço americano seguir de pé e enquanto ministros do STF articulam para escolher quem pode julgá-los no Senado. Acontece sob um partido cuja vitória de 2022 continua contestada por milhões de brasileiros que denunciam fraude nas urnas eletrônicas, e cujo novo mandato já é questionado lá fora, como Flávio Bolsonaro disse ao Washington Post. Um regime que mantém um exército de 10 milhões de prontidão depois de vencer não está se preparando para convencer o Congresso e os tribunais. Está se preparando para encurralá-los.

O Watch Post Daily continua acompanhando o caso. Fontes: Estadão, Gazeta do Povo, Correio Braziliense, Poder360, O Povo, Metrópoles.

Imagem de destaque: 22.10.2026 – Lula e Janones falam com o maior exército democrático do mundo, por Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

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