Gonet é sócio de empresário que fatura com dinheiro público e eventos com ministros do STF

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Gonet é sócio de empresário que fatura com dinheiro público e eventos com ministros do STF

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O procurador-geral Paulo Gonet, que denunciou Jair Bolsonaro, é sócio de Zilmar Santana de Assis, cuja associação fechou mais de R$ 5 milhões em contratos públicos e organiza eventos com ministros do STF, revela o Estadão.

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BRASÍLIA — O procurador-geral da República, Paulo Gonet, autor da denúncia que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao banco dos réus, é sócio de um empresário cuja associação fechou mais de R$ 5 milhões em contratos públicos enquanto organizava eventos com ministros do Supremo Tribunal Federal, revelou o Estadão neste sábado (8). A empresa dos dois funciona no mesmo escritório, com o mesmo telefone e o mesmo contador dos negócios que vendem esses eventos.

Quem decide quem o Brasil vai processar tem empresa com quem agenda os ministros que julgam esses processos. Ninguém em Brasília explicou onde termina o negócio de palestras e onde começa o cargo público.

Segundo o Estadão, Gonet registrou a Direito em Perspectiva Estudos Científicos na Junta Comercial de Goiás em abril de 2025. A empresa vende cursos, palestras e material didático. O outro sócio, e administrador, é Zilmar Santana de Assis, que também comanda a Associação Brasileira de Formação e Pesquisa (ABFP) e é dono da Gooleran Academia de Formação e Pesquisa. A empresa de Gonet está registrada na mesma sala comercial da Gooleran, no setor oeste de Goiânia, e divide telefone e contador com a ABFP.

Nos 19 meses desde o início da sociedade, a ABFP assinou pelo menos 55 contratos com órgãos públicos e conselhos profissionais, somando mais de R$ 5 milhões. Entre os contratantes estão a Caixa Econômica Federal, o BNDES e consórcios de municípios. No mesmo mês em que a empresa de Gonet nasceu, a ABFP recebeu R$ 348 mil do Cioeste, consórcio de cidades da Grande São Paulo, por um seminário com o ministro Gilmar Mendes. Os eventos da associação também tiveram o ministro Flávio Dino, e o próprio Gonet participou de pelo menos quatro deles.

Por que isso importa

O procurador-geral é a única autoridade que pode denunciar criminalmente, no STF, o presidente da República, ministros de Estado e parlamentares. Gonet foi indicado por Lula em dezembro de 2023 e reconduzido em 2025 para um segundo mandato de dois anos. Foi com a assinatura dele que o caso contra Bolsonaro chegou ao Supremo, que condenou o ex-presidente em setembro de 2025. Os mesmos ministros que julgam as acusações de Gonet são os que têm a agenda de palestras organizada e vendida a entes públicos pelo sócio dele. Para comparar com os Estados Unidos: seria como o Attorney General ter empresa com o promotor de eventos que leva juízes da Suprema Corte a palestras pagas por agências federais.

Os laços não são novos. Gonet fundou o IDP, em Brasília, ao lado de Gilmar Mendes, e é coautor com ele de um dos manuais de direito constitucional mais conhecidos do país. A Lei Orgânica do Ministério Público da União proíbe seus membros de participar de sociedade comercial, a não ser como acionista ou cotista. Com Zilmar como administrador, o arranjo cabe nessa exceção no papel. Se cabe no espírito de uma lei feita para manter procurador longe de negócio é a pergunta que nenhuma autoridade respondeu.

O que está comprovado e o que é alegação

O que está documentado, segundo o Estadão: o registro da empresa, o endereço, o telefone e o contador em comum, os 55 contratos, o pagamento de R$ 348 mil do Cioeste e a presença de Gonet em eventos da ABFP. O jornal não encontrou contratos públicos assinados diretamente pela empresa de Gonet, e o volume da ABFP nos 19 meses anteriores à sociedade foi maior, cerca de R$ 7 milhões. Não há, até aqui, acusação de que Gonet tenha direcionado algum contrato. Procurado pela assessoria, Gonet não comentou; Zilmar e a ABFP não responderam. Os órgãos contratantes disseram ter seguido critérios técnicos.

O que o registro mostra é um padrão que o brasileiro conhece bem: o procurador, os ministros e o negócio de eventos girando no mesmo círculo pequeno, pagos em parte com dinheiro público, sob um regime Lula cuja vitória em 2022 milhões de brasileiros ainda contestam. Nesta mesma semana, ministros do STF foram flagrados articulando para escolher quem pode julgá-los no Senado, e o próprio Estadão chamou a ação contra a chapa governista no TSE de “certeza da impunidade”. Num país em que quem acusa, quem julga e quem dá palestra divide o mesmo endereço, prestação de contas é o único produto que ninguém vende.

O Watch Post Daily continuará acompanhando o caso. Fontes: reportagem do Estadão de 8 de novembro de 2026; registros da Junta Comercial de Goiás citados pelo Estadão; Lei Orgânica do Ministério Público da União (Lei Complementar 75/1993).

Imagem de destaque: Paulo Gonet em sessão do TSE no dia 14.02.2023, por TSE – Tribunal Superior Eleitoral, via Wikimedia Commons, domínio público.

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