Trump diz que prefere perder o Senado a deixar o Irã construir a bomba

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Trump diz que prefere perder o Senado a deixar o Irã construir a bomba

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O presidente Donald Trump disse que aceita perder o controle do Senado antes de permitir que o Irã obtenha uma arma nuclear, um dia depois de os democratas varrerem o Congresso com a gasolina a US$ 4,15 o galão e a guerra no nono mês.

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WASHINGTON — O presidente Donald Trump disse que aceita perder o controle do Senado americano antes de permitir que o Irã construa uma arma nuclear, ao responder diretamente sobre o preço político da guerra que ele iniciou em fevereiro. Perguntado se o conflito valeu a perda do Senado, Trump respondeu que sim e acrescentou que não havia outra escolha. “Se eu tivesse que fazer de novo, teria que fazer de novo, porque a longo prazo é a única resposta”, afirmou, segundo a ABC News. “Você não pode deixar o Irã ter uma arma nuclear.”

As declarações vieram depois de os democratas conquistarem as duas casas do Congresso nas eleições legislativas de terça-feira. Pelas projeções atuais, eles viraram sete cadeiras no Senado, chegando a 54 contra 44 dos republicanos, e ganharam pelo menos 250 vagas na Câmara. O vice-presidente JD Vance não suavizou: “A razão pela qual perdemos é a guerra.” Trump não discordou. Reconheceu que o conflito contribuiu para a derrota e concordou que o aumento do combustível explica boa parte do desempenho ruim dos republicanos.

O preço que o eleitor pagou

Os números explicam por que os republicanos culpam a guerra. A gasolina custou em média US$ 4,15 o galão no dia da eleição, o maior valor para uma eleição nacional desde 2000 e uma alta de 37% em um ano, segundo a CNBC. A mesma reportagem estima em cerca de US$ 1.230 o custo de energia para a família típica desde o início da guerra, no fim de fevereiro. Na pesquisa de eleitores da ABC, 34% dos eleitores da Câmara disseram que a guerra foi decisiva para o voto, enquanto 49% citaram o custo de vida e 55% citaram a corrupção no governo.

Por que isso importa

Um presidente americano acaba de dizer ao país, na manhã seguinte a uma derrota feia, que impedir um Irã nuclear vale mais que a própria maioria. É o tipo de escolha que o conselho editorial do Wall Street Journal diz há tempos que líderes deveriam estar dispostos a fazer, e que poucos políticos fazem quando as pesquisas viram. Para o leitor no Brasil e para a diáspora brasileira nos Estados Unidos, o efeito é concreto: o dólar, o petróleo Brent e o preço na bomba se movem com Teerã. Depois das falas de Trump, o Brent caiu cerca de 9%, para US$ 94,62 o barril, enquanto o mercado pesava a chance de um acordo contra a de novos ataques.

O que vem agora

Trump disse que poderia “terminar o serviço com muita facilidade” se o Irã recusar limites nucleares vinculantes e, perguntado sobre novos ataques, respondeu “talvez eu faça, talvez não”, segundo a Fox News. O comandante da Força Quds, Esmaeil Qaani, respondeu com o alerta de uma frente “unida” de aliados iranianos em vários teatros. No mesmo dia, o Tesouro sancionou pessoas que ajudam a movimentar o petróleo iraniano. Em casa, Trump disse que negociará com a nova maioria democrata desde que ela evite táticas destrutivas, minimizou o risco de impeachment e afirmou que os republicanos teriam vencido se o nome dele estivesse na cédula. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, já prometeu “arame farpado legislativo” contra a Casa Branca, segundo a CBS News, o que acompanha a linha que Trump traçou dias atrás em seu aviso “eu vetarei tudo”.

O que está comprovado e o que é alegação

Comprovado: as maiorias democratas, a média da gasolina, os números das pesquisas de eleitores e as falas de Trump e de Vance. Não comprovado: a afirmação de Trump de que os republicanos teriam vencido com o nome dele na cédula, que é uma alegação e não um resultado medido, e a ideia de que só a guerra custou o Senado, já que os eleitores também citaram corrupção e custo de vida em grande número. A cobertura anterior do jornal mostrou o mapa já se movendo, do Texas ao Kansas.

O padrão merece ser dito sem rodeios. Um presidente escolheu uma linha estratégica em vez do interesse imediato do próprio partido, e o próprio vice-presidente nomeou o custo em voz alta. O próximo teste é uma Washington dividida: se um Congresso democrata mantém a linha sobre o Irã ou a troca por poder de barganha em todo o resto.

O The Watch Post Daily continuará acompanhando esta história. Informações extraídas de ABC News, CNBC, Fox News e CBS News.

Imagem de destaque: Shell Gas Station Prices @ Canoe Creek Service Plaza por DanTD, via Wikimedia Commons, CC BY 4.0.

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