Trump perdeu o Congresso, mas o tarifaço contra o Brasil não cai

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Trump perdeu o Congresso, mas o tarifaço contra o Brasil não cai

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Os republicanos perderam as duas Casas do Congresso, e o regime Lula aposta que um Trump enfraquecido vai derrubar o tarifaço. Analistas ouvidos pela Veja não veem sinal disso: as negociações seguem paradas e as tarifas continuam em vigor.

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WASHINGTON — Os republicanos perderam o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato desta semana, e o regime Lula aposta que um Donald Trump enfraquecido vai finalmente derrubar o tarifaço contra os produtos brasileiros. Analistas ouvidos pela revista Veja não veem nenhum sinal disso. As negociações comerciais entre os dois países seguem paradas, as tarifas continuam de pé e não há certeza nem de que a reunião entre as equipes técnicas, prevista para este mês, vai acontecer.

O tarifaço vem do meio de 2025, quando Trump anunciou sobretaxa de 50% sobre as importações brasileiras e ligou a medida, de forma explícita, ao processo do governo brasileiro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns produtos e setores foram retirados depois, em boa parte graças a empresas brasileiras que trabalharam junto com parceiros americanos, e não à diplomacia de Brasília. Segundo a Veja, o regime Lula apresentou argumentos técnicos para derrubar as sobretaxas e foi ignorado pela equipe de Trump. Os números mostram o custo: o Brasil exportou US$ 40,36 bilhões para os EUA em 2024. Em 2025, primeiro ano do tarifaço, o valor caiu para US$ 37,68 bilhões.

Por que isso importa

O Brasil é um dos maiores fornecedores de café, carne, suco de laranja e aço para o mercado americano, e o custo de vida é apontado como um dos motivos da virada dos eleitores contra os republicanos, como se viu no resultado das eleições estaduais. É essa a esperança de Brasília: que Trump, por sobrevivência política, alivie a pressão sobre o Brasil para baixar os preços em casa. Mas o tarifaço nunca foi só comércio. Foi um recado político sobre o estado das instituições brasileiras, e nada no resultado das midterms muda esse recado.

Uma aposta na variável errada

A estratégia do regime parte de ler as midterms como um resgate. Lula, saído de uma reeleição que a Veja chama de “virada histórica”, é festejado no exterior como símbolo de resistência à direita, enquanto Trump amarga uma derrota pesada. O Planalto espera que essa gangorra vire concessão. A própria reportagem da Veja aponta o contrário: Trump é imprevisível, a pauta entre os dois governos está cheia de temas espinhosos, e as divergências vão além das tarifas, passando por minerais críticos, regulação das big techs e a influência americana na América Latina.

E há a pergunta que Brasília prefere não fazer. Washington acaba de dar abrigo ao segundo colocado na eleição presidencial brasileira, o senador Flávio Bolsonaro, que disse ao Washington Post que Trump não vê mais o Brasil como uma democracia plena. O Congresso pode fazer audiências e aprovar resoluções, mas a política de tarifas contra o Brasil saiu da Casa Branca, e saiu por razões políticas. Um Congresso democrata não muda quem assina os decretos. O regime já viu o que seu histórico econômico faz com a confiança do investidor: estrangeiros tiraram R$ 12,4 bilhões da bolsa em oito pregões depois da eleição.

O que está comprovado e o que é alegação

Comprovado: a maioria democrata nas duas Casas do Congresso americano; as exportações de US$ 40,36 bilhões em 2024 e US$ 37,68 bilhões em 2025; o tarifaço em vigor; e as negociações paradas. Relatado pela Veja: que os argumentos técnicos do regime foram ignorados e que a reunião técnica deste mês é incerta. Esperado, mas sem confirmação: qualquer alívio nas tarifas por causa das midterms. A Casa Branca não deu nenhum sinal nessa direção.

O regime Lula tratou o problema com Washington como uma briga pessoal com Trump, que o eleitor americano acabaria resolvendo. As midterms testaram essa tese, e o tarifaço continua lá. Um governo que quer comércio melhor com os Estados Unidos vai ter de discutir o que Washington de fato levantou, do ativismo judicial aos exilados políticos, em vez de esperar que o eleitor americano resolva a sua diplomacia.

O Watch Post Daily continuará acompanhando o caso. Fontes: Veja, The Washington Post e dados oficiais de comércio exterior citados pela Veja.

Imagem destacada: Containers no Porto de Salvador, BA, de Samory Pereira Santos, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

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