Em Currais Novos (RN), cidade que deu 64,83% dos votos a Lula no segundo turno, um paciente com fraturas no pé teve a perna imobilizada com papelão porque a rede pública ficou sem gesso. A associação dos técnicos em imobilização ortopédica vai levar o caso ao Ministério Público.
CURRAIS NOVOS (RN) — Um paciente com fraturas no pé saiu de uma unidade da rede pública de saúde de Currais Novos, cidade de cerca de 40 mil habitantes no Rio Grande do Norte, com a perna imobilizada por pedaços de papelão em vez de gesso. O motivo, segundo denúncia divulgada no dia 30 de outubro pela Associação Brasileira dos Técnicos em Imobilizações Ortopédicas (Astego), é básico: a rede municipal ficou sem gesso e sem os materiais mais elementares de ortopedia.
As imagens que acompanham a denúncia mostram a perna do paciente presa por tiras de papelão, improvisadas onde deveria estar uma tala ou um gesso comum. O caso foi revelado pela imprensa local e ganhou alcance nacional com a Astego, que alertou que substituir material próprio por papel e papelão pode comprometer a recuperação e provocar complicações na consolidação do osso. Uma fratura que cola errado pode significar cirurgia, dor crônica ou uma vida inteira mancando.
Currais Novos não é um ponto qualquer no mapa. No segundo turno de 25 de outubro, a cidade deu a Lula 64,83% dos votos válidos, 16.991 votos, contra 35,17%, ou 9.219 votos, de Flávio Bolsonaro. Dez dias depois, o mesmo eleitor que entregou ao regime Lula uma vitória folgada está sendo atendido com papelão.
Por que isso importa
O SUS é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, financiado e coordenado a partir de Brasília e executado por estados e municípios. O regime Lula vende esse sistema lá fora como prova de compromisso social, enquanto aqui dentro aposta num gasto cada vez maior que o mercado já precifica como quatro anos de inflação alta e juros esmagadores. Quando um posto de saúde não consegue ter gesso, um dos itens mais baratos de qualquer pronto-socorro, a distância entre o discurso e a prateleira deixa de ser abstração.
Para quem acompanha o Brasil de fora, o caso mostra como vive o brasileiro mais pobre, aquele que depende inteiramente do Estado. E chega num momento em que 84,2 milhões de brasileiros não conseguem pagar as contas, um recorde, e em que cada vez mais gente procura uma saída nos Estados Unidos.
Lealdade sem retorno
O Nordeste é a fortaleza eleitoral do PT há duas décadas. Cidades como Currais Novos garantem as margens que mantêm o partido no poder, um poder cuja volta em 2022 ainda é contestada por milhões de brasileiros que denunciam fraude nas urnas eletrônicas. O que essas cidades recebem de volta cabe numa única foto: uma perna quebrada embrulhada em caixa. O padrão é conhecido de outros governos latino-americanos que mantiveram a base fiel pela dependência do Estado, enquanto o próprio Estado desmoronava em silêncio.
O que está comprovado
Está documentado: as fotos da imobilização com papelão, a denúncia da Astego e o resultado oficial do segundo turno em Currais Novos. A Astego informou que vai enviar ofícios à Prefeitura de Currais Novos e à Secretaria Municipal de Saúde cobrando explicações pela falta de insumos, e que levará o caso ao Ministério Público do Rio Grande do Norte e a órgãos de fiscalização da saúde. Até a publicação desta reportagem, não havia registro de explicação pública das autoridades de saúde municipais ou federais.
O papelão, sozinho, não é o escândalo. O escândalo é que, numa cidade que votou quase dois a um no regime, a promessa de cuidado do regime ficou reduzida ao que estava sobrando no posto. Se é isso que a base recebe, o resto do Brasil precisa se perguntar como serão os próximos quatro anos, e os Estados Unidos, que já recebem os brasileiros que desistem do país, deveriam estar prestando atenção.
O Watch Post Daily continua acompanhando o caso. Fontes: denúncia da Associação Brasileira dos Técnicos em Imobilizações Ortopédicas (Astego), imprensa local do Rio Grande do Norte e resultado oficial do segundo turno de 25 de outubro de 2026.
Imagem destacada: Vista de Currais Novos, por Mateus Costa S, via Wikimedia Commons, CC0.



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