James Talarico, ex-professor e deputado estadual, derrotou o procurador-geral Ken Paxton, apoiado por Trump, e levou a vaga do Texas no Senado, a primeira vitória democrata ali desde 1988, num estado que Trump venceu por cerca de 14 pontos em 2024.
AUSTIN, Texas — James Talarico, deputado estadual democrata e ex-professor, venceu a eleição para a vaga do Texas no Senado dos Estados Unidos e derrotou o procurador-geral republicano Ken Paxton, segundo os relatos da noite eleitoral. É a primeira vitória de um democrata texano ao Senado desde Lloyd Bentsen, em 1988, e veio contra um candidato apoiado pelo presidente Donald Trump, num estado que Trump venceu por cerca de 14 pontos em 2024. A CBS News informou que os democratas viraram a vaga do Texas dentro de um avanço mais amplo no Senado.
Talarico era pouco conhecido no estado um ano antes da eleição. Conquistou a indicação democrata em março ao vencer a deputada Jasmine Crockett por 53% a 45% e montou a campanha de novembro em torno do aumento do custo de vida sob governos republicanos. Paxton, que derrubou o senador Cornyn, quatro vezes eleito, na primária republicana depois do apoio de Trump, apareceu em vários eventos ao lado do presidente durante a campanha. O histórico dele pesou por conta própria: em 2023, parlamentares republicanos da Câmara estadual lideraram um processo de impeachment contra ele por acusações de corrupção, e o Senado estadual o absolveu depois.
Por que isso importa
O Texas é o maior reduto republicano do país, e uma vitória democrata ali muda a aritmética em Washington. Cada cadeira democrata aproxima os 67 votos necessários para derrubar um veto, o que pesa diretamente sobre a promessa de Trump de vetar tudo o que chegar à mesa dele. O resultado também testa o valor político do dinheiro de fora: Elon Musk destinou US$ 158 milhões (cerca de R$ 867 milhões) a um super PAC que apoiava Paxton, segundo os relatos, e Talarico fez desse gasto parte do argumento contra o adversário.
O resultado importa em Brasília também. A pressão de Washington sobre o regime Lula passou em boa parte por instrumentos do Executivo, e um Senado com novos presidentes de comissão democratas vai definir sua própria agenda de fiscalização sobre o Brasil. O contraste é difícil de ignorar. No Texas, um resultado estadual que contraria o apoio do presidente será discutido em termos de candidatos, dinheiro e mensagem. No Brasil, dizem os críticos, quem questiona a contagem de 2022 de um partido no poder cuja vitória milhões de brasileiros ainda contestam é quem enfrenta risco jurídico.
O que está comprovado e o que ainda está em aberto
O que está confirmado: Talarico venceu, segundo a cobertura da noite eleitoral; é a primeira vitória democrata ao Senado no Texas desde 1988; Trump apoiou Paxton; e o processo de impeachment de 2023 e a absolvição no Senado estadual são registro público. O que foi relatado e não foi verificado de forma independente aqui: o valor de US$ 158 milhões do super PAC ligado a Musk. O que continua em aberto: a margem final, a certificação oficial e quanto do resultado pertence ao histórico de Paxton, e não ao humor nacional.
Um candidato apoiado por Trump, com o homem mais rico do mundo por trás, perdeu num estado que o presidente venceu por 14 pontos há dois anos. A pergunta para os republicanos é se a lição é sobre um candidato ou sobre a economia que os eleitores dizem estar vivendo.
O The Watch Post Daily continuará acompanhando esta história. Fontes: cobertura da noite eleitoral da disputa pelo Senado no Texas; CBS News; registros públicos sobre o impeachment de Ken Paxton em 2023.
Imagem de capa: Texas State Capitol and Volunteer Firemen Monument in January 2023, de CupWithSoda19, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.



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