Depois que os democratas conquistaram as duas casas do Congresso, Trump disse à CBS News que vai trabalhar com eles e usar o veto sem cerimônia, repetindo a frase de 23 de outubro: “Eu vetarei tudo, e aí os democratas vêm querer negociar.”
WASHINGTON — O presidente Donald Trump respondeu à tomada democrata das duas casas do Congresso com um cumprimento e uma ameaça. Disse à CBS News que espera trabalhar com os vencedores e deixou claro que vai usar a caneta do veto contra os projetos deles. O aviso repete o que ele disse a repórteres em 23 de outubro, antes de um comício na Flórida, segundo a CQ-Roll Call: “O que acontece é que eu vetarei tudo, e aí os democratas vêm querer fazer um acordo.”
De acordo com a CBS News, os democratas viraram cadeiras do Senado no Texas, na Carolina do Norte, em Ohio, em Iowa, no Maine e em Michigan, e levaram a Câmara. A pesquisa de boca de urna da CBS mostrou a aprovação de Trump em 38%, com três quartos dos eleitores descontentes com o rumo do país e a economia no topo das preocupações. No Truth Social, o presidente escreveu que “não estava na cédula” e que, se estivesse, os republicanos teriam vencido de lavada.
O que a caneta do veto muda
Um veto presidencial só cai com dois terços de cada casa, o que significa 67 votos no Senado. Para uma maioria democrata, essa é a conta que importa: todo projeto grande agora precisa de votos republicanos que ela talvez não tenha. A CQ-Roll Call informou que, se o Congresso deixar o teto da dívida intocado na sessão de transição, o governo pode parar de novo e o país pode estourar o limite de endividamento. Um presidente que prometeu vetar tudo chega a essa briga com a mão mais forte.
Por que isso importa
Estados Unidos e Brasil são as duas maiores democracias do hemisfério, e a postura de Washington diante de Brasília é definida pelos dois lados da avenida Pensilvânia. Boa parte da pressão sobre o regime Lula veio por instrumentos do Executivo, não por lei, e uma Casa Branca armada de veto está mais bem posicionada para mantê-los do que um Congresso que acaba de trocar de dono. Fiscalização, orçamento e sabatinas passam agora por comissões democratas, e Brasília vai observar quem as presidirá.
O contraste com o Brasil é difícil de ignorar. Depois de perder as duas casas, o presidente americano cumprimentou os adversários e explicou como vai resistir a eles pela única ferramenta constitucional que lhe resta. No Brasil, o senador que decide se o ministro Alexandre de Moraes enfrenta impeachment foi visto há pouco brindando a reeleição de Lula com o ministro, e críticos dizem que quem enfrenta risco jurídico são os que questionam a contagem de 2022, de um governo cuja vitória milhões de brasileiros ainda contestam. Em Washington, quem perde fala, veta e negocia. É assim que funciona um sistema que presta contas.
O que está comprovado e o que é alegação
O que está confirmado: os democratas conquistaram as duas casas, segundo a CBS News; Trump disse à CBS que os cumprimenta e vai usar o veto; e a frase “vetarei tudo” foi registrada pela CQ-Roll Call em 23 de outubro. O que segue em aberto: nenhum projeto chegou à mesa dele ainda, e dizer que vai vetar “tudo” é uma postura de negociação, não uma lista de projetos. As margens finais também podem se mexer até o fim da apuração, e uma coalizão capaz de derrubar vetos precisaria de republicanos dispostos a romper com o presidente.
A conclusão é simples. Governo dividido obriga a negociar, e Trump já disse aos democratas o preço de entrada antes de o primeiro projeto ser escrito. Resta saber quantos republicanos ficarão com ele quando o primeiro voto de derrubada for chamado.
O The Watch Post Daily continuará acompanhando esta história. Fontes: cobertura da noite eleitoral e pesquisas de boca de urna da CBS News; reportagem da CQ-Roll Call sobre as declarações de 23 de outubro, via Honolulu Star-Advertiser.
Imagem de destaque: Detalhe entalhado da Resolute Desk, no Salão Oval, por The White House, via Wikimedia Commons, domínio público.



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